Mais um caso de abuso sexual em coletivos de Niterói

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URGENTE – O caso aconteceu no ônibus da viação Brasilia que fazia a linha 61 que liga a zona sul da cidade até a zona norte, e foi relatado pela colaboradora Priscila Guedes que transitava no mesmo ônibus e identificando o ato conseguiu ajudar a vitima a se livrar do criminoso. Priscila relatou o caso nas redes sociais e teve uma grande repercussão.  Segue abaixo o relato de Priscila em sua rede social:
“Sábado, 11/06/2016, por volta das 22:30 eu entro no ônibus 61 da viação Brasília, ali na praia de Icaraí. Comigo entraram também uma senhora e um rapaz. O ônibus tava praticamente vazio, tinha um menino no penúltimo banco, uma menina e um homem aparentemente bem mais velho que ela, sentados juntos. A menina era absurdamente bonita, então acabei reparando nela e percebi algo diferente. A expressão dela era de medo, assustada e meio congelada, ela nem se mexia. A situação me chamou atenção, então resolvi sentar perto, fui pro banco ao lado. A menina tava sentada próxima à janela e o cara pro corredor. Ele tava de bermuda, chinelo, camisa e o casaco no colo (outro fato que me chamou atenção, já que o frio era absurdo). Eu só conseguia ver uma das mãos dele, mas a outra parecia estar nas pernas da menina, que tava com uma mochila que “tapava o que estava acontecendo”. A meu primeiro pensamento foi falar com o motorista, mas pensei “meu Deus, vai que esse cara tá armado e faz alguma merda”. Foi daí que me veio em mente a seguinte atitude:
– Oi, tudo bem? Nem te vi aqui, você foi lá hoje?
A menina super assustada só me respondeu:
– Oiii!
Voltei a perguntar: -E aí, você foi lá hoje?
E finalmente ela entrou na conversa
– Fui, fui sim
– E como foi, foi legal? Não deu pra eu ir porque tinha aniversário de uma amiga
– Foi, foi bem legal
Eu percebi que o cara tirou a mão dela e começou a ficar disfarçando, então resolvi tentar:
– Senta aqui comigo, pra você me contar como foi lá hoje.
A menina então levantou, o cara até virou as pernas dando passagem pra ela. Sentamos mais ao fundo do ônibus. Bom, foram os 10 minutos mais nervosos da minha vida, ela sentou do meu lado e segurou minha mão por todo o tempo, bem forte, como se não quisesse largar por nada. Eu cheguei a perguntar se ela conhecia o rapaz, mas ela só fez que não com a cabeça e continuou calada.
O cara desceu do ônibus na altura do ponto Cem Réis, próximo à uma favela que tem por lá.

A minha hora de descer do ônibus foi chegando e eu perguntei:
– Você vai descer em que ponto?
Ela respondeu: – Vou descer junto com você.
Disse ok, e não demorou descemos. Foi descer do ônibus e a menina chorou, chorou muito, chorou de dar agonia e só consegui abraçá-la. Abracei por um tempo até ver uma viatura da Polícia parada no Posto de Gasolina próximo ao ponto. Então fomos, cheguei nos policiais e contei tudo o que aconteceu. A menina continuava segurando a minha mão e chorando. Ela então conseguiu falar o que aconteceu.

O cara entrou no ônibus, ali na Ary Pareiras, próximo à uma favelinha que tem por ali. No momento, só tinha ela lá dentro. Ele foi até o final do ônibus e depois voltou, sentou do lado dela, com um canivete na mão, o colocou entre as pernas e disse:
– Fica quietinha, não reage, não fala nada. Você vai descer junto comigo e se gritar eu te furo todinha.
E ali ela ficou…

Um dos policiais pediu algum telefone de contato, mas a menina não conseguia lembrar. De nervoso, provavelmente. Então ela destravou o celular e pediu pra eu procurar o contato “casa”. Achei, disquei e passei o celular pro policial. Alguém atendeu, não deu nem 5 minutos e chegou um carro. Era o pai da menina, assustado, sem saber o que tava acontecendo. A menina abraçou o pai mas não deixou de segurar a minha mão. O pai dela só conseguiu me agradecer, me agradecer inúmeras e inúmeras vezes, tantas que até fiquei sem graça.
Os policiais perguntaram se ela queria registrar um boletim de ocorrência e o pai respondeu que sim. Perguntei se era necessária à minha ida até a Delegacia e um dos policiais disse que sim. Por fim, acabei não indo porque já era muito tarde e eu tava sozinha. A menina, no final de tudo, me deu um abraço e entrou no carro do pai.
O nome dela é X e tem 17 anos.
O que eu, Priscila, tiro disso tudo? Bom, acredito que inúmeras situações como essa ocorrem todos os dias na nossa cidade, no nosso país. Mas agradeço a Deus por ter reparado nessa menina, por não ter tapado os olhos diante da situação e tomado uma atitude.”

Fonte: Jornal Cidade de Niterói

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