Colunista: Professor Gilberto Dolejal Zanetti

A VANGUARDA DE UM TURISMO EM RIO DAS OSTRAS


Rio das Ostras é cidade praiana, encravada nas restingas da Região dos Lagos do Estado do Rio de Janeiro, com seu rio que atravessa despercebidamente e chega ao mar de forma distraída e sem olhares atentos à sua beleza. A maior parte de sua população se achegou na vila de pescadores. É nossa cidade e precisa cada vez mais se achar em si, buscar a identidade em cada uma de suas raízes e se fazer morada para a alma de cada um de nós. Este município reflete o contexto nacional, e há de se considerar que vivemos tempos difíceis. Nestes tempos áridos, uma das perguntas mais correntes está em que se vai firmar e no como construir os nossos dias neste canto do mundo?

Em parte, Rio das Ostras já tem a resposta do rumo a ser tomado em meio ao número de 32,5% da sua população que já vive abaixo da linha da pobreza (IBGE, 2015), pois o turismo é latente e, ao que tudo indica, é no turismo que reside uma das respostas mais fortes e unanimes para um futuro melhor do município. Neste sentido pensemos que temos peculiaridades das quais muitas precisam ser relembradas, abraçadas e acarinhadas. É cidade de belezas naturais e onde o poeta Caymmi fez morada por 30 anos. Possui inúmeros músicos, artesãos, agricultores familiares e pescadores. É a cidade em que a fábrica de bonecas precisa ser reaberta e suas ruas, mesmo que pouco planejadas, precisam ser humanizadas para o acolhimento de todo cidadão que aqui chegar.

A Secretaria Municipal de Turismo, em evento público (2016), informou que Rio das Ostras recebe aproximadamente 800 mil turistas por ano, sendo que 30% destas pessoas tem retornado. Quem são estas pessoas? Por que viajam para Rio das Ostras? Por que retornam? Sabe-se que a maioria dessas pessoas encontram-se num raio de 500 kilometros, sendo que são atraídas pelos negócios e pelas belezas naturais que aqui encontram. As pessoas que voltam a visitar a cidade, afirmam que fazem isso principalmente, por encontrar tranquilidade e praias de beleza singular.

As três perguntas acima são cruciais para que se possa tratar minimamente o turismo em nossa região e há de se ter claro que turismo é diferente de veranismo. Mas, para que se dê outro passo com o objetivo de firmar o turismo local, necessitamos saber além do potencial da cidade, traçando um planejamento turístico que comungue com outros locais da região. Não é tarefa fácil, mas é tarefa necessária. Gramado, por exemplo, planejou e se preparou durante 20 anos para o turismo que almejou alcançar, e hoje é um dos locais mais visitados no Brasil, apresentando um turismo robusto. Nesse sentido, Rio das Ostras precisa formar seu primeiro Conselho Municipal de Turismo, e definir suas políticas e calendário, quebrando a sazonalidade e buscando atrativos que respeite as cores, tons e sabores do local.

Ressalto a criação do Conselho Municipal de Turismo uma vez que pouco mais de 28,000 riostrenses votaram no atual prefeito o qual exerce seu mandato sob liminar e, a soma das 13 cadeiras da Câmara de Vereadores, chega a aproximadamente 16,000 votos dentre os 84,956 eleitores de Rio das Ostras. Assim é que, na minha opinião, somente um Conselho Municipal de Turismo, sério e conhecedor desta causa conseguirá estabelecer para além de um plano de governo, pois necessitamos de um plano de turismo para o município como um todo, independente de governo. Precisamos nos desafiar a este ponto para que venhamos construir novos caminhos, inaugurando um novo viável, respeitando as características culturais e a historicidade local dentre outras matizes que devem ser consideradas neste processo de superação do contexto que vivemos atualmente.

Não teremos nada de novo sob o azul do céu sem a tomada destas medidas mínimas necessárias para o turismo ser alavancado. Rio das Ostras possui 65 hoteis e pousadas, com mais de 1000 quartos, aproximadamente 100 restaurantes, um centro de convenções e eventos reconhecidos como o de motos, o jazz & Blues, a Festa da Literatura e de Cultura, a parada da diversidade LGBT – 3º maior evento da cidade. Para o turismo científico temos o Parque dos Pássaros (maior viveiro de pássaros da América Latina), o Museu do Sítio Arqueológico Sambaqui da Tarioba, no centro da cidade e mesmo o período que Caymmi passou no município, além das formações de restinga e, na região, a trilha de Darwin, que enaltece todo o local, o morro São João, um pé de vulcão extinto, além do poeta da juventude - Casimiro de Abreu. Desde sempre Rio das Ostras serviu de paradeiro para os viajantes que encontravam água e acolhimento neste local. Hoje encontra-se um tanto calada com, por exemplo, seus bares e músicos que precisam sessar seus trabalhos no centro, após a meia noite, e, em costazul, após às 2 horas da manhã.

É preciso que se abrace, verdadeiramente, esta causa, pois há de se formar bem mais que mão de obra qualificada e um comércio forte, porque temos histórias a serem contadas, eventos a serem prestigiados, locais a serem visitados, ruas a serem percorridas, quinze praias a serem apreciadas além dos costões rochosos, das lagoas e do circuito eco rural que reúne campos, montanhas e lagos. É um futuro para ser compreendido, planejado e construído de forma que o munícipe ganhe o respeito e seja valorizado por este turismo consciente e cidadão.




Sobre o colunista: 

Gilberto Dolejal Zanetti
Biólogo, com especialização em Educação Ambiental, mestrado em Ciência e Tecnologia Farmacêutica e doutorado em Botânica. Dedica-se ao estudo de plantas medicinais desde o começo de sua carreira. É professor universitário, foi diretor do Campus da UFRJ em Macaé. Trabalha junto a museus e movimentos populares pelo viés da cultura, saúde e educação. Possui 29 artigos publicados em revistas científicas, 58 palestras ministradas e 31 orientações (mestrado, doutorado, iniciação científica e Trabalho de Conclusão de Curso). Participou da 4º e 5º edição da Farmacopeia Brasileira. Foi membro do Conselho Superior de Ensino de Graduação da UFRJ e do Conselho de Saúde de Rio das Ostras. É membro do Orçamento Participativo e do Conselho de Cultura de Rio das Ostras.


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